domingo, 2 de janeiro de 2011

Recomeçando.

É engraçado a forma como observamos as coisas depois que a gente sai de casa. Para mim, viver é um conjunto de sensações específicas. São os detalhes que, somados, fazem a diferença. O cenário vai se formando pouco a pouco, é uma junção meio aleatória [e contraditoriamente sequencial] de momentos que guardam cheiro, tato, gosto, dor, alegria... É o passar na rua que você morou quando era criança e lembrar dos dias de chuva que alagavam um tantico o calçamento de barro, dos riachos que se formavam lá e te davam a ideia de fazer barquinhos de papel e sair de casa, de pijama e sem chinela, pondo-os para navegar com a certeza de que estava num lugar inóspito, cheio de corredeiras furiosas as quais só você podia domar. É quase sentir o gosto da comida que a sua vó fazia nos domingos barulhentos de família reunida quando você tá andando na rua e percebe vir de alguma janela um aroma parecido com o daquele prato. É se arrepiar de aflição ao contar para um amigo sobre a primeira grande queda de bicicleta que você sofreu e que te resultou em arranhões que demoraram dias e dias para sarar. É esquisito como a nostalgia pode ser quase paupável...

E nesses quatro iniciais meses que tenho vivido longe de tudo o que sempre fui acostumada a ver, é inevitável que sejam recorrentes as comparações. Essa época de fim de ano, então, deixa tudo mais explícito. Talvez porque seja mais agitada, talvez porque tenha esse ar de mudança iminente que nos faz pensar. O fato é que desta vez o meu Natal foi completamente novo. As ruas aqui não são longas, nem guardam penduricalhos alumeados por toda a cidade: a decoração é praticamente só no centro (mas é uma graça!). Ao invés do calor e da correria de toda sexta-feira à tarde (no intuito de terminar logo os trabalhos e fugir para a praia), tem o frio, a neve e a vontade de ficar em casa no quentinho tomando chá ou chocolate quente. No lugar de shows e espetáculos públicos, aqui tem o Marché de Noël, um mercadinho com coisas típicas da região (comidas, artigos de decoração...). Tomei vin chaud (vinho quente com especiarias) e me deliciei com alguns quitutes alsacianos, ora doces ora salgados. O clima de Natal é tão genuíno que às vezes eu pensava mesmo que o Papai Noel ia aparecer.

Apesar de não ter podido fazer um circuito de turismo natalino, consegui visitar a lindíssima Freiburg, uma pequena vila medieval alemã há 45 minutos de Mulhouse. Localizada entre  cinco montanhas, tem a floresta negra como vizinha. Coincidentemente conhecida como Cidade do Sol (vale lembrar que sol não é igual a calor, peguei -6°C por lá), também tem o título de Cidade Verde, pelo respeito que tem ao meio ambiente. Pena que a viagem teve a rapidez de uma só tarde!

De ano novo, tudo foi bem! Eu e Amanda jantamos em casa, estouramos uma Champagne à meia noite, comemos uva e lentilha para dar sorte e depois fomos dançar na casa de uns amigos, pas mal!

Pois para vocês, meus queridos, Feliz Natal atrasado! Feliz Ano Novo atrasado! Isso porque sou tipicamente brasileira. Mas como para desejar coisas boas não existe hora certa: que 2011 possa ser muito especial e lhes traga saúde e boas conquistas. Da minha parte, fica um promessa: tentar dar notícias mais frequentemente!


PS: Braga-ruts! Feliz Aniversário (em tempo)! Um grande beijo, meu carinho e minha saudade. To te esperando por aqui, viu?! Você prometeu visita e vou continuar cobrando até você aparecer!

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