sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Descobrindo.

Já fazia uns dias que eu esperava. Às vezes não sabia se com certa apreensão ou com uma ansiedade positiva. Sempre procurava as previsões e ficava um tanto decepcionada quando o dia era adiado...

Mas foi bonito, o nosso encontro. Eu corri para a varanda e fiquei lá olhando, quase sem notar o meu sorriso de canto de boca. Estava frio e eu nem lembrei de pôr o meu casaco, ignorei os dedos e nariz gelados e fiquei tentando entender aquele cenário, novo, tão diferente... 

Me deu uma vontade instântanea de ir para casa. O papo estava bom, o vinho aquecia um pouco o inverno... Só que eu precisava ver de perto, tocar, sentir. Então, me agasalhei e saí - "pessoal-tá-tarde-já-vou-boanoite-durmambem-atéamanhã". E quando pisei na calçada lá fora, já nem continha mais a felicidade, finalmente eles caíam, e como eram lindos os flocos de neve! A vontade que dava era de se jogar na grama que agora era branquinha, como se tivesse se transformado em outra coisa de doce, de leve, de macia.. Continuei a andar, no entanto. E depois corri e pulei e contive qualquer algazarra maior, porque todos dormiam, sonhando embaixo de seus cobertores quentinhos, enquanto eu esquecia que tinha aula bem cedo no dia seguinte.

Já faz uma semana que tá assim. E ainda me pego perdida, sempre que sobra alguns cinco minutinhos, analisando - com um jeito meio matuto de nordestina que só conhecia sol e suor - o branco que cai do céu, tão suave que parece dançar junto com o vento antes de atingir o chão ou resolver se instalar nos galhos de algum pinheiro.


domingo, 7 de novembro de 2010

O samba sempre salva.

No começo eu achava os queijos todos com um gosto muito forte e esquisito. A arquitetura da cidade também era diferente, os prédios antigos, baixos e entrempados um no outro, dando sempre a impressão de que o vizinho saberia tudo da sua vida. Na noite, nada o que fazer. Tudo fechando cedo. Ninguém fazendo baderna na rua. Ninguém bebendo na rua (é proibido)... E o costume de sair no domingo e na segunda não trabalhar? Quase como uma extensão do fim de semana, horário [não] incluso no funcionamento do comércio em geral? Era bizarro demais.

Hoje em dia eu como fromage de chèvre quase que diariamente. Acho ótimo os prédios não serem altos e até gosto de subir escadas (apesar do meu sedentarismo), já que nunca tem mesmo elevador em canto nenhum. É massa também isso de festar e poder voltar andando para casa, não só porque não é tarde, mas porque é muito tranquilo... Quando saio com uma breja na mão, é inerente deixá-la assim disfarçada, dentro da bolsa ou do sobretudo, e cada gole que vem depois do olha-prum-lado-e-pro-outro é gradativamente mais emocionante. O domingo é bem melhor que o de outrora, pois além de não ter Faustão, posso escolher, geralmente, entre ir aruerar num mercado de pulgas ou passear no centro e dar Bom Dia à uns velhinhos simpáticos. Vezenquando ainda me permito comer uma bagana deliciosa e pensar que cada graminha extra está valendo à pena (ainda que mamãe se impressione quando me vê um tantico rechonchuda na webcam). Isso sem falar que as tão más-ditas segundas-feiras se tornam suportáveis quando percebo que a preguiça de início de semana não é só minha.

Mas, se tem uma coisa com a qual eu não me acostumei ainda, é o que posso chamar de “falta frequencial de proximidade afetiva”. A impressão que tenho é que as pessoas aqui andam dentro de bolhas invisíveis, cheias de proteções ultra modernas não identificáveis por pobres mortais de sangue latino americano. Do momento em que se diz “Oi tudo bem como é seu nome prazer o meu é tal”, segue-se um sem número de códigos corporais a ser observado. Às vezes, ao ser apresentado a alguém, a gente pode dar dois beijinhos – se o clima for bem informal e descontraído – só que daqueles bochecha com bochecha, bem xôxo. Se não, um aperto de mão é suficiente. Daí em diante, depende. Se o coleguinha sentir em você certa afinidade, ele vai te sugerir a troca de telefones. Tendo isso sido feito, você pode se atrever em escrever uma mensagem ou mesmo dar uma ligadinha, mas os assuntos têm que ser práticos, como um daqueles necessários para combinar ou avisar algo [comigo é geralmente “desculpa, vou me atrasar!]. Após essa barreira, tudo se trata de uma conquista diária. A primeira brincadeira, a primeira tiração de onda, a primeira encheção de saco... Coisinhas bobas, mas que vão dando nome à amizade.

Um dia, em Natal, pouco antes de vir para cá, eu estava conversando com uma amiga que já tinha morado aqui na Europa. Falávamos sobre algumas dessas diferenças de contato e lembro demais de uma frase que ela me disse: “Helô, o que você vai sentir mais falta é de poder abraçar”. Verdade. Puríssima verdade. Como eu sinto falta do abraço! Porque não é daqueles sem graça que falo [os que só agora – depois de quase três meses – começaram a surgir, e mesmo assim vindos dos poucos amigos que me são mais próximos]. É do abraço genuíno, sincero. Da espontaneidade, melhor dizendo. Do poder tocar, rir, dançar, na hora que der na telha. Qualidade um pouco rara pelas bandas de cá.
Por isso que semana passada, assim que soube de um barzinho que promoveria uma baladjinha intitulada de scène ouverte aux musiciens (espécie de Jam session), propus à Amandinha: “Quer saber? Vamo simbora fazer uma zuada nos ouvidos desses gringos?”. Claro, ela topou na hora. E lá fomos nós, eu com meu pandeiro (que já estava empoeirando, coitado) e ela com o mini ganzá, ambas esperançosas de subverter um pouco essa chata convenção social de não poder ser ou estar alegre sem motivos aparentes. Chegando lá, assim que se deu a oportunidade, peguei meu batuque, agarrei o microfone e comecei a enrolar timidamente algo de Chico Buarque. Mandinha logo se levantou e veio me acompanhar. Sei que, quando dei fé, já tinha um doido na bateria e outro no violão. Mais tarde dois dos nossos amigos juntaram-se a nós, e entre instrumentais sincopados e sambas desafinados, fizemos uma farra de deixar o bar todo em pé dançando! Até um francês nascido em Salvador apareceu (e, enquanto dançava quase igual à Globeleza, pediu para tocar Ivete Sangalo) na bagunça. Agora, eu, Mandinha e a nossa turma, estamos arquitetando um projeto de fazer um bloquinho de carnaval em Mulhouse, no próximo ano. Quem sabe não dá certo... Alguém topa vir?


PS: Sei que no post passado prometi fotos do aniversário de Amandinha, mas vou pôr um video que fizemos do parabéns, porque tá muito fofo!


 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

La rentrée e algumas bizarrices.

Aaahh, finalmente o início das aulas. Essas três últimas semanas têm sido, primordialmente, de adaptação. Explico. As dificuldades começam com o acordar cedo – e na hora certa. Às 7:00hs da manhã aqui, além de o dia ainda estar escuro, faz um frio que consegue, no mínimo, dobrar a preguiça. Pego a bike (às vezes o bondinho), chego na faculdade com as mãos e a “venta” congelando, entro na sala (ocasionalmente atrasada), tiro os 30 casacos, resmungo algo achando que no inverno vou virar um armário ambulante, e me deparo com o segundo problema: conseguir entender o que diabos o professor está falando. Mesmo com o francês já tendo melhorado bastante (passou de ruim para capenga), eu preciso fazer um esforço enorme para absorver tudo o que está sendo dito. As matérias da primeira unidade são, mormente, sobre economia ambiental e, embora interessantíssimas, são super técnicas e cheias de teorias as quais eu nunca tinha antes ouvido falar. Lidar com gráficos, cálculos e expressões específicas da área vem fazendo meus tico-e-téco trabalharem um bocado.

Mas, enfim, falando agora de algo mais divertido... Essa cidade tem umas esquisitices que me dão vontade de andar 24hs com uma câmera de vídeo filmando tudo para mostrar a vocês. Numero algumas em seguida:

1- As baladas que a Prefeitura promove têm frequentemente nome de comida.
 Perdi a Festa da Lentilha, porém não deixei de ir à famosa Festa da Cebola! Essa última é um evento anual que traz à praça principal de Mulhouse – e isso descobri in loco – toda a nata da “melhor idade”. Com faixa etária média de 75 anos, era tanto cabelo branco que eu me punha em dúvida se estava no céu ou na terra. E ninguém ficava parado não, viu? A soirée dansante levou a juventude toda para a pista, era pé-de-valsa e sandalinha-de-ouro em todo canto onde se olhava, achei o máximo (pai, você aqui ia fazer sucesso). Lá pelo final da festa, eu e Amanda vimos mais uns quatro perdidos como nós. Resolvemos fazer amizade. A galera era descolada e mais doida que a gente. Depois de tomarmos umas brejas juntos, e de cantar de “Voyage, Voyage” nas alturas no meio da praça, prosseguimos com a night em um pub lá perto. Infelizmente, não deu para render muito tempo. Como Natal, Mulhouse sofre da “Síndrome do Cinderelismo”, 00hs-1hra já não tem mais quase nada aberto. Conformados, pegamos a última bière, compramos uma tarte de l’oignon e voltamos para casa felizes e de bucho cheio.

2- O vício em calor.
Basta fazer um solzinho e a cidade inteira sai da toca. As ruas ficam cheias de gente. Cada um com seu casquinho de sorvete na mão, quase como se fosse um troféu. Os banquinhos perto dos jardins e fontes são os mais disputados. Só falta ter fila para sentar.

3- A moda capilar masculina infanto-juvenil.
Quem foi que disse que usar moicano ainda é up? O pior é que os adolescentes daqui poderiam até formar uma associação/clube de nome “Tenho Gel Mas Não Tenho Espelho em Casa!”. Os integrantes defenderiam a ideia de que o que importa é o que está fora da cabeça, e não dentro. Entre as vantagens, poderia estar a possibilidade de usufruir de descontos nas mais variadas lojas de produtos capilares, como em pentes, mousses e laquês. Claro, porque não é um simples moicano que eles usam, é uma espécie de modelo emo-mullets-porco-espinho-high-tech-fashion. Vez ou outra até rola uma escovinha, um loosho!

4- O império da cachorrada.
De todos os tipos, todos os tamanhos, eles estão em lojas, restaurantes, supermercados, são educados e às vezes até mais cheirosos que os donos. Já vi quase todas as raças da TV Colosso (para quem teve final da infância nos anos 90 e lembra dos personagens, tenho que dizer: Gilmar e Priscila passeiam sempre lá no centro).

Vou parando, se não a lista fica grande demais. Mas não posso deixar de pensar: o que será que o povo daqui escreveria sobre a gente, se fossem eles que estivessem em Natal? Imaginem só, Salut mama! Ça va? Por aqui tá tudo bem, mas esses brasileiros são todos meio pancada, veja que aqui chamam mulher de “boy” e quando vão falar contigo dizem “esse ômi” ao invés de “você”! O pão francês, de francês mesmo num tem é nada, e tem padaria que sequer vende baguete, uh la la!  No petit déjouner se come um tal de cuzcuz amarelo, com carne e tudo, sem falar numa comida indígena também muito comum, qui s’appelle tapioca! E le fromage? Todo mundo parece que só gosta de um bem sem graça, o “queijo prato”... Tem uma amiga minha que comprou roquefort outro dia, mas depois que abriu jogou fora porque disse fedia tanto que só podia estar estragado! Oui oui, c’est vrai! C’est bizarre, han??”.

E viva as diferenças!


ps 1: desculpem a demora pra postar, é que os dias estão super corridos!
ps 2: o aniversarinho de Mandinha foi massa, rolou um comes-e-bebes aqui em casa, depois posto fotos!
ps 3: “rentrée” é como eles denominam a “volta às aulas”.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Virando uma "citoyenne alsacienne".

Os dias estão se passando bem. As chatices administrativas – que às vezes parecem bichinhos que se procriam ad eternum - estão diminuindo. Acho que a vida aqui está finalmente começando a tomar uma rotina (no bom sentido da palavra). As ruas já me são familiares e as paradas de ônibus já não soam mais tão estranhas (“Bourtzwiller” é um exemplo), mesmo eu não utilizando tanto esse tipo de transporte. A minha casa tem cada dia mais cara de casa. Até consigo sentir aquela sensação de que-bom-de-ter-voltado-da-rua quando abro a porta.

O primeiro dia de aula será amanhã, sexta-feira. Semana passada eu fui à faculdade, dei uma circulada, um reconhecimento de área, sabe? Para ver onde é onde, como as coisas mais-ou-menos funcionam... O espaço é moderno, a biblioteca é enorme. Falta verde, devo dizer. Diferentemente do outro campus, o grandão que fica um pouco mais longe (esse que vou estudar é mais perto do centro da cidade), que, como eu já disse, é super arborizado.

No que diz respeito à vida noturna Mulhousienne, há uma luz no fim do túnel. Na penúltima quarta-feira (a antes de ontem), após fazer amizade com a minha gerente do banco (momento em que fui abrir a conta), fiquei sabendo de algo interessante que rola por aqui. Semanalmente acontece um “evento” bacana, o After-Work. Um cara chamado Lionel Scherrer (para quem for curioso e quiser procurar no Facebook) é organizador de festas e teve a brilhante ideia de fazer o seguinte: toda quarta-feira ele promove um encontro, que tem o intuito de juntar a galera jovem para tomar uma cerveja (ou afins) e jogar um papo fora. Começa cedo, às 20hs, mas tem duas fases. A primeira tem um esquema meio happy hour e vai até meia noite. A segunda vale para quem quiser (e puder) esticar a night, das 00hs até amanhecer o dia os dispostos vão para uma boate, com a opção de entrar de graça (caso peguem antes o selo do After-Work com o tal Lionel). O legal é que os bares que abrigam a festa variam a cada semana, como se fosse uma espécie de rodízio. Além disso, algumas promoções são sempre oferecidas, a exemplo de uma degustação da especialidade de petisco da casa, e também chopp vendido à preço de estudante. Eu e Amanda fomos lá conferir e o troço lota, fica até um bocado de gente na calçada porque não tem onde sentar! O problema é só que, às vezes, essa baladjinha não é propriamente em Mulhouse, mas sim em alguma pequena vila vizinha, numa das espécies de “cidades satélites” que geralmente ficam à uns 10km daqui, o que dificulta (ou impossibilita) o comparecimento para quem não tem carro, nosso caso. Isso sem falar que é meio bizarro esse rolé ser justo nas quartas, ao invés de sexta ou sábado. Enfim, pelo menos é melhor que nada!

Essa terça-feira fui à Strasbourg, tive que ir lá pegar o titre de séjour (minha identidade francesa) e aproveitei para dar uma passeada. Confesso que voltei um pouco apaixonada pela cidade! Bem maior que a petite ville onde estou, Stras tem um ar demasiado mais jovem e europeu. A arquitetura, por si só, é bem mais imponente. O clima meio parisiense e descolado não é nada difícil de ser notado logo que você desce da estação de trem. Os canais são um charme, e olhar para a vegetação de outuno e folhas secas dá vontade de pegar um livro e não fazer mais nada além de ler, o resto inteiro da tarde... Infelizmente, choveu muito enquanto eu estava por lá, mas mesmo assim o cenário não deixava a desejar. Voltei para casa com um gostinho de quero mais!


Sobre as fotos, eu juro que queria pôr um bocado, mas a internet não tá colaborando nem um pouco! Assim que eu tiver acesso em casa, posto mais coisas, prometo!

Mudando um pouco de assunto, fiquei sabendo do que houve no Buraco da Catita. Coisa mais chata, hein?! Mas acho que não precisa de tanto pantim, pois, pelo que li no jornal, aquilo lá foi resultado de uma briga de uns malucos que estavam enchendo a cara lá em Igapó. Uma pena foi o desfecho ter sido por lá... Mas não deixem de frequentar o lugar, o chorinho ainda é um dos centros culturais mais interessantes da noite natalense.

Bom, vou ficando por aqui. Beijo grande à todos e um pouquinho da minha saudade!

domingo, 29 de agosto de 2010

Vida de estudante.


A primeira coisa que pensei quando entrei na minha nova casa foi “ufa, finalmente tenho um teto e me livrei de pagar hotel”. Passeei um pouco por todos os cantos, olhando de novo aquele espaço, agora não mais reparando nos possíveis defeitos, se valia ou não o preço do aluguel, mas sim tentando identificá-lo como meu, imaginando o que poderia viver dentro dele nesse um ano que segue. Tava tudo vazio. Uma sala grande, dois quartos, um banheiro... Era só o que eu conseguia ver. Sentei, comecei a desfazer as malas (as “benditas” malas, que tanto vinham me irritando de levar para lá e para cá, finalmente eu ia me livrar delas). Só que depois foi um pouco difícil ir tirando, devagar, todas as minhas coisas ali de dentro. Cada peça vinha com um tantinho de lembrança e/ou saudade... E acho que o eco do apartamento intensificava o sentimento de estranheza.


No dia seguinte acordei melhor. Eu e Amanda fizemos uma faxinona nas coisas. Com tudo limpo, cheiroso e arrumado, o cenário já estava alegre! Mais ambientadas, pé na tábua para resolver as próximas muitas etapas burocráticas. Aqui na França tudo é um protocolo mais difícil de cumprir que o de Kyoto. Para fazer qualquer coisa é preciso um rendez-vous (uma espécie de encontro marcado, ou reunião previamente agendada), um verdadeiro treino de paciência. E apesar da simpatia das pessoas daqui, grande parte delas não é nada solícita. Não consegui diferenciar ainda se isso é preguiça de gente de interior ou se é má vontade de atender estrangeiro.


Os dias têm sido calmos. Como moro perto do centro, dou uma volta por lá quase todo fim de tarde. É adorável. O que gosto mais é de ficar observando quem passa. Cada detalhe é interessante, a roupa, os modelos de cabelo, a forma como se portam... Diferentíssimos dos brasileiros, e principalmente dos natalenses. De baladas, ainda nada de novo (mas a esperança é a última que morre). Para vocês terem ideia, essa última sexta-feira à noite estava chovendo, e como sair debaixo d’água e com frio não era uma opção que me apetecia, terminamos, eu e Amanda, na calçada em frente de casa, cada uma atracada com uma caneca de chá conversando lorota e falando de quem passava. Me senti a própria moradora de Jucurutu. Ontem descobrimos que estava tendo um tal torneio de “vôlei de praia” (a Prefeitura botou uma carrada de areia no meio de uma praça e fez a quadra) na cidade, “u-hú!”, pensamos, “deve ter uma galera jovem e animada!”. Corremos para o Carrefour, compramos uma garrafa de vinho e um pote de Pringles e fomos para lá. Cara, que decepção. Só tinha os jogadores, alguns parentes deles, eu, Amanda e um doidão falando sozinho. Até o narrador (à lá Galvão Bueno) soltou uma piadinha – que não conseguimos entender, aliás – com a gente. Derrubamos o Cabernet-Syrah, voltamos para casa, comemos um crepe com nutella (nhamm) e fomos dormir. Vocês conseguem imaginar um final de semana meu assim? Quem diria, hein?


Finalmente fiz a inscrição na faculdade, passei uma tarde inteira lá, quase. O campus é lindo! Todo gramado, cheio de árvores, um espaço enorme. Bizarro foi antes de ir embora... Fui tirar a foto da carteirinha de estudante e, depois de um dia inteiro rodando à pé, tentem visualizar como eu estava uma graça. Parecia uma monstra. Cabelo assanhado, cara de louca, olheiras, e por aí vai. Amanda não ficava atrás, no quesito look. E para piorar, a foto seria tirada de uma web cam. A galeguinha que fez o click, me mostrou para ver se eu tinha gostado. Se eu fosse mesmo feia daquele jeito, não teria nem espelho em casa. PeloamordeJesusCristinho. Amanda quando viu minha foto desandou a rir, incontrolavelmente. Mas a vez dela chegou, e o resultado foi igualmente horrendo. Eu ria compulsivamente, não sei se por alívio (de eu não ser a única) ou por vingança. No fim das contas saíu eu e Amanda tendo uma verdadeira CRISE de riso, as duas vermelhas de vergonha, uma palhaçada!


Hoje de manhã visitamos um mercado de pulgas que rolou lá perto da universidade. Do monte de quinquilharias, sobram umas coisas massas. Adorei. Vou caçar (como diria Vovó Quina) outros eventos desses.


Ah! Descobri uns museus e cinemas (Cla, num deles tá passando um documentário sobre Pina Bausch, lembrei de você!) bacanas por aqui. Por enquanto não tá dando tempo de ir, mas assim que der, venho falar sobre.


E vocês, o que têm feito? Me escrevam com novidades!

Beijocas,

H.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Primeira semana.

A chegada na França foi bem. Paris estava linda, como sempre. Mesmo com o seu típico céu nublado. O simples ato de andar na rua, sem direção definida, já era uma delícia! Nos encontramos com Tiago (Maia) no finalzinho da tarde e fomos juntos caminhando até às margens do Sena. Quando a gente tava pertinho de lá, eu ouvi um batuque assim meio de longe... "Isso é samba", disse eu. "Não, menina, é jazz", completou Tiago. "Helô, você tá viajando, isso deve ser uns doidão tocando qualquer coisa aí", continuou Amanda. "Não, não, é samba sim... Aliás, é pagode. E tão tocando Revelação!", eu falei, antes de sair correndo para confirmar a suspeita. Pois num é que era mesmo?! Um grupinho de brasileiros tocando em um boteco lá na beira do famoso rio! O repertório era péssimo (algo como Terra Samba e/ou similares), mas foi engraçado! O melhor era as gringas dançando (ou tentando) uma espécie de samba de gafieira, daquele jeito bem desengonçado que vocês podem imaginar, crente que tavam abafando. A felicidade delas era tanta, que tava legal de assistir. Bebemos um vinho, trocamos uma ideia com o pessoal por lá. Foi bacana. Em seguida voltamos para casa.

No outro dia, viemos para Mulhouse. De primeira classe, aliás. Mas calma, não estamos ricas, é que a passagem custava apenas 6 euros a mais. A vinda foi tranquila. Assim que chegamos no hotel, largamos as tralhas, tomamos um banho, e pé na rua. Tínhamos uma odisséia pela frente: encontrar um apartamento para morar.

Rodamos a cidade inteira, anotamos uma cacetada de números de locadores. No fim das contas, foi mais difícil do que esperávamos. Alguns apês dos anúncios já haviam sido alugados. Outros contatos simplesmente não atendiam. E, mesmo quando a gente conseguia falar e agendar uma visita, não era que de última hora levávamos um bolo? Pelo visto, em Mulhouse o povo não é tão europeu assim com compromissos. Lá pras tantas, vimos um apêzinho ótimo! Era tipo no subúrbio, mas perto do centro. Dentro era enorme (tudo que passa de 50m² aqui é gigante) e estava recém reformado, até tinha cheirinho de tinta! Adoramos e resolvemos fechar o negócio. Pois acreditam que os donos resolveram dar pra trás de última hora? Grr. Sem opção, começamos a saga novamente... Do liga-aqui-liga-ali, definhando com esse nosso francês fubéca, acabou que um deu certo! Encontramos um apartamentinho super bacana e vamos nos mudar ainda hoje.

Sobre a cidade, aqui não tem nada no visual que seja tão destacável. É tudo muito bonitinho, por causa da arquitetura, dos parques, das ruazinhas do centro... Mas é um interiorzão, não se tem muito o que fazer. Também ainda não dá para falar muita coisa sobre o turismo, porque não passeamos nada, o foco era achar um teto para morar, e só. O que posso adiantar é que há uma penca de árabes, indianos e koreanos/chineses (não dá pra definir tão bem, afinal todos esses tem os olhinhos puxados e parecem iguais). Tem muito idoso e bastante jovens (entre 25 e 35 anos) com criança (aquela coisa do tédio, né - se é que me entendem). Ah, andar pelo supermercado é sensacional! Dá vontade de comprar tudo!! Imaginem que vocês estão numa delicatessen natalense, com todos os itens em eterna - e irresistível - promoção. Pronto, é desse jeito. Tudo baratico e delicioso. Queijos, vinhos, temperos e mais outro tantão de coisas que pra gente é finesse, aqui é normal e faz parte do dia a dia das pessoas. Pra vocês terem uma ideia, eu já engordei mais de 1 kilo.

Ah, ontem resolvemos desencruar de casa e fomos numa festinha eletrônica (de graça) que tava rolando aqui perto. Entre gays e pirralhos, salvaram-se poucos. Tinha uns travestis cantando no palco e duas mulheres dançando dentro de uma bolha de ar revestida de plástico. A expressão delas era sempre blasé, não sei se por saco cheio ou por achar aquilo "sexy". Por fim, resolvemos fugir da bizarrice. Mas antes, nos demos o luxo de tomar um chopp, que caiu como uma luva.

Hoje estamos em clima de mudança. Nosso locador é tão gentil, que se ofereceu para levar de carro para o apartamento o nosso montante de 140kg de bagagem, nos deixando sem ter que gastar com táxi (o hotel fica perto do nosso novo lar).


Acho que, por enquanto, é isso. Dou notícias na sequência, quando postarei algumas fotos!

À bientôt! Des bisous!!