domingo, 3 de abril de 2011

Que se viva, então, todos os carnavais do mundo.

Depois de tanto tempo sem escrever aqui, eu me vejo parada, caixa de texto do blog aberta, pensando por onde começo, será que tento seguir com uma certa cronologia? ou vou aleatória, despretensiosamente desconexa? talvez no fim das contas não faça mesmo diferença. Vou contando então, tão somente (e nessa hora tenho vontade que vocês pudessem ter estado comigo em vários momentos - cada um combinando mais com cada pessoa outra).

O tempo andou curto, corrido, fugido, parecendo precisar de mais de vinte-e-quatro-horas para se fazer completo. Até que eu soube da festa. Doze de março, seria. Uma semana depois da brasileira, a que eu anualmente esperava, fazendo geralmente planos e preparativos desde janeiro, ansiosamente: o carnaval. Porque para mim não era só da farra a importância, mas do clima, da alegria, das cores, da música (os batuques e metais sincronizados, como eu gosto!). Quatro dias de festa, longe de tudo o que é sério e comprometido demais, vivendo num mundo pequenino de algumas ruas e ladeiras mas grande o suficiente de risos e sorrisos que o tornavam um canto qualquer de passos largos, onde dá vontade de correr e de pular, sem que a gente saiba ao menos o porquê de fazê-lo. O break que todo mundo precisa. Era isso, era isso, eu precisava de um break. Por isso resolvi que mesmo longe daquela euforia à qual eu estava acostumada, eu faria do lado de cá uma outra, já que a alegria pode mesmo se manisfestar de formas novas e o lugar é o detalhe que menos importa, no fim das contas.

Aí foi num sábado que eu guardei os livros [junto com um tanto de coisas imateriais], vesti a fantasia, chamei a Claudionor e comecei a cantar o frevo e o samba, do jeito que dava, sem um coro de duzentas pessoas, apesar de que as duas que me acompanhavam conseguiam - positivamente - torná-lo cem vezes mais forte (é tudo uma questão de sensação e efeito). Pronto, a noite já estava mais clara! O friozinho nem impedia mais nada. Saímos então rumo ao centro, e nos perdemos em meio à fanfarras e desfiles, blocos admirados pelo povo daqui, mas vividos por nós! E entre xilofones e valsas de Yann Thiersen, até tocou-se algo brasileiro, bizarramente clichê, mas engraçado de ouvir. Sei que a folia na rua durou até altas horas e nós, insaciados, ainda a continuamos em casa (que mais tarde estaria involutariamente forrada de confetis), ouvindo vinis de Paulinho da Viola e Baden Powell, fazendo um calmo e divertido fim de festa.

No dia seguinte, pernas e braços reclamavam do noite anterior. Só que não demos ouvidos, era dia de carnaval em Basel, na Suíça (que fica à apenas 22km de Mulhouse)! Um evento que, de tão curioso, se tornou imperdível.

Mesmo sendo uma cidade protestante desde 1520, essa comemoração, originalmente católica, continuou sendo celebrada por lá. Os dias de festa duram precisamente 72 horas e são conhecidos como os três mais belos do ano ("die drey scheenschde dääg", um tipo de slogan). Atualmente, o Morgestraitch, como eles chamam, é tido como uma das 50 principais festividades da Europa. Durante a madrugada as pessoas acordam (algumas talvez nem durmam), e pouco à pouco vão enchendo as ruas. Às e-xa-tas quatro horas da manhã, todas as luzes da cidade (literalmente) se apagam e as ruas dão lugar à um belíssimo desfile de máscaras. Incomum, nesse evento cada participante carrega consigo, acima da cabeça, pequenas lanternas com símbolos típicos. As alegorias repetem esse sistema iluminado, só que explorando sempre temas políticos, sociais ou ambientais da atualidade. O público que assiste é formado por um uma multidão (super organizada, aliás) que inclui não só suíços, como também milhares de visitantes franceses e alemães entre turistas de várias outras origens. É tudo muito mágico, parece que a gente está em uma época que não a nossa, num mundo diferente, de fantasia. O som dos pífanos e tambores ajudam também a nos transportar para algum lugar muito especial e delicado, imaginário. O cenário é incrível e obrigatório de conferir à quem quer que seja que esteja por essas bandas nessa época do ano. Voltamos para casa à sete da manhã, cansados e com sono e completamente  extasiados. Cada centímetro caminhado e cada segundo sem estar no quentinho da cama havia valido enormemente à pena.


PS: Sim, tenho fotos! Quem quiser, deixe um comentário com o endereço de email que eu envio um link com um álbum particular!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Recomeçando.

É engraçado a forma como observamos as coisas depois que a gente sai de casa. Para mim, viver é um conjunto de sensações específicas. São os detalhes que, somados, fazem a diferença. O cenário vai se formando pouco a pouco, é uma junção meio aleatória [e contraditoriamente sequencial] de momentos que guardam cheiro, tato, gosto, dor, alegria... É o passar na rua que você morou quando era criança e lembrar dos dias de chuva que alagavam um tantico o calçamento de barro, dos riachos que se formavam lá e te davam a ideia de fazer barquinhos de papel e sair de casa, de pijama e sem chinela, pondo-os para navegar com a certeza de que estava num lugar inóspito, cheio de corredeiras furiosas as quais só você podia domar. É quase sentir o gosto da comida que a sua vó fazia nos domingos barulhentos de família reunida quando você tá andando na rua e percebe vir de alguma janela um aroma parecido com o daquele prato. É se arrepiar de aflição ao contar para um amigo sobre a primeira grande queda de bicicleta que você sofreu e que te resultou em arranhões que demoraram dias e dias para sarar. É esquisito como a nostalgia pode ser quase paupável...

E nesses quatro iniciais meses que tenho vivido longe de tudo o que sempre fui acostumada a ver, é inevitável que sejam recorrentes as comparações. Essa época de fim de ano, então, deixa tudo mais explícito. Talvez porque seja mais agitada, talvez porque tenha esse ar de mudança iminente que nos faz pensar. O fato é que desta vez o meu Natal foi completamente novo. As ruas aqui não são longas, nem guardam penduricalhos alumeados por toda a cidade: a decoração é praticamente só no centro (mas é uma graça!). Ao invés do calor e da correria de toda sexta-feira à tarde (no intuito de terminar logo os trabalhos e fugir para a praia), tem o frio, a neve e a vontade de ficar em casa no quentinho tomando chá ou chocolate quente. No lugar de shows e espetáculos públicos, aqui tem o Marché de Noël, um mercadinho com coisas típicas da região (comidas, artigos de decoração...). Tomei vin chaud (vinho quente com especiarias) e me deliciei com alguns quitutes alsacianos, ora doces ora salgados. O clima de Natal é tão genuíno que às vezes eu pensava mesmo que o Papai Noel ia aparecer.

Apesar de não ter podido fazer um circuito de turismo natalino, consegui visitar a lindíssima Freiburg, uma pequena vila medieval alemã há 45 minutos de Mulhouse. Localizada entre  cinco montanhas, tem a floresta negra como vizinha. Coincidentemente conhecida como Cidade do Sol (vale lembrar que sol não é igual a calor, peguei -6°C por lá), também tem o título de Cidade Verde, pelo respeito que tem ao meio ambiente. Pena que a viagem teve a rapidez de uma só tarde!

De ano novo, tudo foi bem! Eu e Amanda jantamos em casa, estouramos uma Champagne à meia noite, comemos uva e lentilha para dar sorte e depois fomos dançar na casa de uns amigos, pas mal!

Pois para vocês, meus queridos, Feliz Natal atrasado! Feliz Ano Novo atrasado! Isso porque sou tipicamente brasileira. Mas como para desejar coisas boas não existe hora certa: que 2011 possa ser muito especial e lhes traga saúde e boas conquistas. Da minha parte, fica um promessa: tentar dar notícias mais frequentemente!


PS: Braga-ruts! Feliz Aniversário (em tempo)! Um grande beijo, meu carinho e minha saudade. To te esperando por aqui, viu?! Você prometeu visita e vou continuar cobrando até você aparecer!