Aaahh, finalmente o início das aulas. Essas três últimas semanas têm sido, primordialmente, de adaptação. Explico. As dificuldades começam com o acordar cedo – e na hora certa. Às 7:00hs da manhã aqui, além de o dia ainda estar escuro, faz um frio que consegue, no mínimo, dobrar a preguiça. Pego a bike (às vezes o bondinho), chego na faculdade com as mãos e a “venta” congelando, entro na sala (ocasionalmente atrasada), tiro os 30 casacos, resmungo algo achando que no inverno vou virar um armário ambulante, e me deparo com o segundo problema: conseguir entender o que diabos o professor está falando. Mesmo com o francês já tendo melhorado bastante (passou de ruim para capenga), eu preciso fazer um esforço enorme para absorver tudo o que está sendo dito. As matérias da primeira unidade são, mormente, sobre economia ambiental e, embora interessantíssimas, são super técnicas e cheias de teorias as quais eu nunca tinha antes ouvido falar. Lidar com gráficos, cálculos e expressões específicas da área vem fazendo meus tico-e-téco trabalharem um bocado.
Mas, enfim, falando agora de algo mais divertido... Essa cidade tem umas esquisitices que me dão vontade de andar 24hs com uma câmera de vídeo filmando tudo para mostrar a vocês. Numero algumas em seguida:
1- As baladas que a Prefeitura promove têm frequentemente nome de comida.
Perdi a Festa da Lentilha, porém não deixei de ir à famosa Festa da Cebola! Essa última é um evento anual que traz à praça principal de Mulhouse – e isso descobri in loco – toda a nata da “melhor idade”. Com faixa etária média de 75 anos, era tanto cabelo branco que eu me punha em dúvida se estava no céu ou na terra. E ninguém ficava parado não, viu? A soirée dansante levou a juventude toda para a pista, era pé-de-valsa e sandalinha-de-ouro em todo canto onde se olhava, achei o máximo (pai, você aqui ia fazer sucesso). Lá pelo final da festa, eu e Amanda vimos mais uns quatro perdidos como nós. Resolvemos fazer amizade. A galera era descolada e mais doida que a gente. Depois de tomarmos umas brejas juntos, e de cantar de “Voyage, Voyage” nas alturas no meio da praça, prosseguimos com a night em um pub lá perto. Infelizmente, não deu para render muito tempo. Como Natal, Mulhouse sofre da “Síndrome do Cinderelismo”, 00hs-1hra já não tem mais quase nada aberto. Conformados, pegamos a última bière, compramos uma tarte de l’oignon e voltamos para casa felizes e de bucho cheio.
2- O vício em calor.
Basta fazer um solzinho e a cidade inteira sai da toca. As ruas ficam cheias de gente. Cada um com seu casquinho de sorvete na mão, quase como se fosse um troféu. Os banquinhos perto dos jardins e fontes são os mais disputados. Só falta ter fila para sentar.
3- A moda capilar masculina infanto-juvenil.
Quem foi que disse que usar moicano ainda é up? O pior é que os adolescentes daqui poderiam até formar uma associação/clube de nome “Tenho Gel Mas Não Tenho Espelho em Casa!”. Os integrantes defenderiam a ideia de que o que importa é o que está fora da cabeça, e não dentro. Entre as vantagens, poderia estar a possibilidade de usufruir de descontos nas mais variadas lojas de produtos capilares, como em pentes, mousses e laquês. Claro, porque não é um simples moicano que eles usam, é uma espécie de modelo emo-mullets-porco-espinho-high-tech-fashion. Vez ou outra até rola uma escovinha, um loosho!
4- O império da cachorrada.
De todos os tipos, todos os tamanhos, eles estão em lojas, restaurantes, supermercados, são educados e às vezes até mais cheirosos que os donos. Já vi quase todas as raças da TV Colosso (para quem teve final da infância nos anos 90 e lembra dos personagens, tenho que dizer: Gilmar e Priscila passeiam sempre lá no centro).
Vou parando, se não a lista fica grande demais. Mas não posso deixar de pensar: o que será que o povo daqui escreveria sobre a gente, se fossem eles que estivessem em Natal? Imaginem só, “Salut mama! Ça va? Por aqui tá tudo bem, mas esses brasileiros são todos meio pancada, veja que aqui chamam mulher de “boy” e quando vão falar contigo dizem “esse ômi” ao invés de “você”! O pão francês, de francês mesmo num tem é nada, e tem padaria que sequer vende baguete, uh la la! No petit déjouner se come um tal de cuzcuz amarelo, com carne e tudo, sem falar numa comida indígena também muito comum, qui s’appelle tapioca! E le fromage? Todo mundo parece que só gosta de um bem sem graça, o “queijo prato”... Tem uma amiga minha que comprou roquefort outro dia, mas depois que abriu jogou fora porque disse fedia tanto que só podia estar estragado! Oui oui, c’est vrai! C’est bizarre, han??”.
E viva as diferenças!
ps 1: desculpem a demora pra postar, é que os dias estão super corridos!
ps 2: o aniversarinho de Mandinha foi massa, rolou um comes-e-bebes aqui em casa, depois posto fotos!
ps 3: “rentrée” é como eles denominam a “volta às aulas”.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirRapadura é doce mas não é mole não. A pedrada da língua dói mas passa com a fluência, portanto aproveitem para falar apenas em Françês entre sí e tratem de estudar senão o bicho vai pegar.
ResponderExcluirAxé.
Pois é.. voltei pra cá pra pegar um solZÃO, pq em PoA tava dificil... Vá pra Grécia no verão, quero ver vc reclamar de frio por lá!! Bjo!!
ResponderExcluirEsse blog é uma delícia de ler...
ResponderExcluirÉ muito massa ir percebendo essas diferenças :) Mas quando mais tempo vc passar aí, mais vc vai se adaptar e se misturar a essa cultura "louca" daí (e vai ser quando vc vai dz: eitaaa pooorrraaa, virei francesa!) huahauhaua :P
ResponderExcluirEu tenho uma grande fofoca pra contar pra vcs duas!!! Depois mando um e-mail... :) Mas não programem nada pro Natal!!
E manda um beijão pra Mandex e Feliz aniversário atrasado #DDDDD
APROVEITEM!!!
Adoro leer suas impressões sob meu pais Helô!! Fiquei rindo na ultima parte: "o que será que o povo daqui escreveria sobre a gente, se fossem eles que estivessem em Natal?" rsrsrs Viva as diferenças!! Beijo
ResponderExcluirVai nos deixando em dia com as suas impressões... coloque fotos tb. Bjaum
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