domingo, 29 de agosto de 2010

Vida de estudante.


A primeira coisa que pensei quando entrei na minha nova casa foi “ufa, finalmente tenho um teto e me livrei de pagar hotel”. Passeei um pouco por todos os cantos, olhando de novo aquele espaço, agora não mais reparando nos possíveis defeitos, se valia ou não o preço do aluguel, mas sim tentando identificá-lo como meu, imaginando o que poderia viver dentro dele nesse um ano que segue. Tava tudo vazio. Uma sala grande, dois quartos, um banheiro... Era só o que eu conseguia ver. Sentei, comecei a desfazer as malas (as “benditas” malas, que tanto vinham me irritando de levar para lá e para cá, finalmente eu ia me livrar delas). Só que depois foi um pouco difícil ir tirando, devagar, todas as minhas coisas ali de dentro. Cada peça vinha com um tantinho de lembrança e/ou saudade... E acho que o eco do apartamento intensificava o sentimento de estranheza.


No dia seguinte acordei melhor. Eu e Amanda fizemos uma faxinona nas coisas. Com tudo limpo, cheiroso e arrumado, o cenário já estava alegre! Mais ambientadas, pé na tábua para resolver as próximas muitas etapas burocráticas. Aqui na França tudo é um protocolo mais difícil de cumprir que o de Kyoto. Para fazer qualquer coisa é preciso um rendez-vous (uma espécie de encontro marcado, ou reunião previamente agendada), um verdadeiro treino de paciência. E apesar da simpatia das pessoas daqui, grande parte delas não é nada solícita. Não consegui diferenciar ainda se isso é preguiça de gente de interior ou se é má vontade de atender estrangeiro.


Os dias têm sido calmos. Como moro perto do centro, dou uma volta por lá quase todo fim de tarde. É adorável. O que gosto mais é de ficar observando quem passa. Cada detalhe é interessante, a roupa, os modelos de cabelo, a forma como se portam... Diferentíssimos dos brasileiros, e principalmente dos natalenses. De baladas, ainda nada de novo (mas a esperança é a última que morre). Para vocês terem ideia, essa última sexta-feira à noite estava chovendo, e como sair debaixo d’água e com frio não era uma opção que me apetecia, terminamos, eu e Amanda, na calçada em frente de casa, cada uma atracada com uma caneca de chá conversando lorota e falando de quem passava. Me senti a própria moradora de Jucurutu. Ontem descobrimos que estava tendo um tal torneio de “vôlei de praia” (a Prefeitura botou uma carrada de areia no meio de uma praça e fez a quadra) na cidade, “u-hú!”, pensamos, “deve ter uma galera jovem e animada!”. Corremos para o Carrefour, compramos uma garrafa de vinho e um pote de Pringles e fomos para lá. Cara, que decepção. Só tinha os jogadores, alguns parentes deles, eu, Amanda e um doidão falando sozinho. Até o narrador (à lá Galvão Bueno) soltou uma piadinha – que não conseguimos entender, aliás – com a gente. Derrubamos o Cabernet-Syrah, voltamos para casa, comemos um crepe com nutella (nhamm) e fomos dormir. Vocês conseguem imaginar um final de semana meu assim? Quem diria, hein?


Finalmente fiz a inscrição na faculdade, passei uma tarde inteira lá, quase. O campus é lindo! Todo gramado, cheio de árvores, um espaço enorme. Bizarro foi antes de ir embora... Fui tirar a foto da carteirinha de estudante e, depois de um dia inteiro rodando à pé, tentem visualizar como eu estava uma graça. Parecia uma monstra. Cabelo assanhado, cara de louca, olheiras, e por aí vai. Amanda não ficava atrás, no quesito look. E para piorar, a foto seria tirada de uma web cam. A galeguinha que fez o click, me mostrou para ver se eu tinha gostado. Se eu fosse mesmo feia daquele jeito, não teria nem espelho em casa. PeloamordeJesusCristinho. Amanda quando viu minha foto desandou a rir, incontrolavelmente. Mas a vez dela chegou, e o resultado foi igualmente horrendo. Eu ria compulsivamente, não sei se por alívio (de eu não ser a única) ou por vingança. No fim das contas saíu eu e Amanda tendo uma verdadeira CRISE de riso, as duas vermelhas de vergonha, uma palhaçada!


Hoje de manhã visitamos um mercado de pulgas que rolou lá perto da universidade. Do monte de quinquilharias, sobram umas coisas massas. Adorei. Vou caçar (como diria Vovó Quina) outros eventos desses.


Ah! Descobri uns museus e cinemas (Cla, num deles tá passando um documentário sobre Pina Bausch, lembrei de você!) bacanas por aqui. Por enquanto não tá dando tempo de ir, mas assim que der, venho falar sobre.


E vocês, o que têm feito? Me escrevam com novidades!

Beijocas,

H.

2 comentários:

  1. Aos poucos vcs se ambientam e o AP ganha cara de lar. Eu ainda estou preso em SP. Mas, devagar tudo se ajeita.

    Beijãooo

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  2. Cadê as fotos do AP e das francesas? E o cheiro do povo, como é?? hehehe brincadeira! Eita se esse AP falasse...

    Bjo!

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